terça-feira, 18 de julho de 2017

Vento

Vem, chega, ventila a dor.
A que vem por dentro,
A que (até) causa ardor.

Traz, causa paz.
Me faz menos intrínseco
E mais sagaz.

Depois, sei que vai embora.
Ficarei te aguardando de novo,
Com o sentimento bom de outrora.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Pensando (divagando?) em 3 linhas

Sonhar ou realizar?
Os dois, desde que o esperar
Não seja afetado pelo desesperar.

Pensar ou fazer?
Os dois, desde que o saber
Não deixe esperar acontecer.

Perdoar ou esquecer?
Os dois, desde que arrefecer
Não signifique apenas esconder.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Mantra

Vamos logo, sem paredes.
Sou jovem, sou forte.
Eu posso.
Completamente protegido.
Completamente atraente.

Tudo vai dar mais que certo.
Já passou, já está melhor.
Já melhorou, já melhorei.
Andar com fé. Viver sempre de pé.
Vamos, você vai conseguir.
Já conseguiu.

Te querer.
Te quero.
Muito.
Inteira. Completa.
Agora. Agora mesmo. Já.
Já está comigo. Já te tenho.

Mas, triste fico,
Só te tenho, te possuo,
Te consumo
Em meus mantras
Em minhas esperanças
No âmago do meu ser.

E continuo desejando,
Pensando, querendo,
Mas nunca podendo
Além de mim,
Te ter.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

"Aforismo sem juízo" do dia

É triste afirmar, mas adventos tecnológicos como a internet e o
celular (também) mostram e intensificam a involução do ser humano.

domingo, 19 de agosto de 2012

Escrito à mão


Já é estranho escrever à mão.
Ainda mais estranho, parece,
Escrever sobre a falta que alguém,
A falta que você (me) faz.
Respiro fundo.
Será que conseguiremos
Contar os anos que se passaram,
Mensurar as perdas? Acho que não.
Mas, assim como o sentimento,
Estas palavras ficarão aqui,
Buscando o perdão que não fomos capazes de reconhecer.

E, pelo menos aqui,
Eu e minha caneta,
Em minha escrita,
Estamos juntos,
Agora
E em todas as vezes
Que um luar ou uma bela canção
Inspirar a nós, ou a qualquer um
Que queira ousar
Escrever, descrever, dissecar
Seus sentimentos,
Todas as palavras
À mão.


(Inspiração: The Gaslight Anthem - "Handwritten" - 2012)

terça-feira, 27 de março de 2012

Divagar, sem citar =)

Às vezes, quero invadir teu sentimento.
Mostrar o que sinto, todo meu tormento - a tristeza de uma possível despedida, a ida, o que quero, o que já prevejo, a paixão de um possível beijo.
Mas é aí que me vejo incapaz, nada sagaz, e tudo o que tenho a dizer começa a esvair-se. Com a lágrima a cair, se mostra o sentir, se demonstram as fraquezas, ou então fortalezas, e todas as minhas proezas se acabam no chão, sem perdão, sem reconsideração. Louco que sou, prefiro ser o que é pra ser sentido, vivido, e não o que é visto, primeiramente, prontamente bem-quisto. Quero que me queiras com vontade, com alarde, e não sendo refém ou com desdém. Desde já, ao te tocar, que seu olhar possa me dizer tudo como da primeira vez, sensatez, tês com tês. Na sua mão, minha mão, coração, tesão, reflexão. Quão descrentes serão os presentes, os ausentes, nubentes ou não, essa gente, que não sabe, não vê, que o que sentimos é nosso, é um troço, qualquer coisa nossa, e que então possa sentir isso quem se sujeitar a aceitar as vicissitudes do ter, do querer, sem possuir, sem fingir sentir.
Termino a página e, sem querer, imagina, quis definir o que me fez refletir, até mesmo divagar, devagar, sem citar a palavra que me fez começar a pensar em um jeito verdadeiro, nada derradeiro, de te.

sábado, 13 de agosto de 2011

Disputa, início, caçada, ver, esperar

Uma pedra bruta,
Um dia de labuta,
Uma não tão justa permuta.

Será que o meu sacrifício
É tão maior que um suplício
Para que nem tudo seja assim difícil?

As manhãs calam os gritos da madrugada,
A fúria descontrolada,
A quietude disfarçada.

Espero que o escolher
Seja tão belo quanto o colher,
Que seja, pelo menos, merecer.

E, sem desesperar,
Que o viver possa, cada vez mais, inspirar,
E o amar, completar.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Haikais da Madrugada

Te amo muito,
Sem ser fortuito.
Amor gratuito.

Sua simpatia
Só me cria empatia,
Gosto de ti mais do que queria.

Vou embora, tenho que ir.
Mas espero te ver sem pedir,
Pra, de novo, bem eu me sentir.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Retrato

Bem-sucedido (e racista).
Muito bem articulado (e homofóbico).
Com muitos amigos (quase todos, segregacionistas).
Sempre está presente (mesmo sendo falso).
Entre os melhores alunos da sala (e esnobe).
Simpático, bonito, apresentável (e sexista, incrédulo, maniqueísta).
Executa todas as ações (com soberbia).
É exemplo (quase sempre, mau).
É o que muitos desejam (ode ao funcional).
Muito comum (mais do que se pensa).
Tomou o lugar (de mais um - dito como – tolo).
Outro retrato: idem.
Mais um, e mais um... próximo?

terça-feira, 1 de março de 2011

Chuva

Hoje, vou andar e deixar a chuva me molhar. Vou tentar ignorar as tragédias ao redor. Me lembrar de você e do seu doce perfume, dos momentos que poderiam acontecer. E me lembrar que algumas coisas simplesmente não acontecerão. Never meant to be. Mas isso tudo não significa que estou triste com o que tenho. Agradeço por tudo aquilo que conquistei. E o que também conquistaram de mim.

Será que é assim, como dizem? Que olhares não trazem nada além de uma ligação e de um pulsar temporário?

Prefiro dizer que não estou tão acorrentado às regras e condutas, as tais que evitam fazer daquele um ser humano, imperfeito e incompleto - como todos nós somos. E que em (quase) tudo pode haver uma satisfação especial, que possa resistir firmemente às intempéries tão frequentes impostas pelas próprias pessoas.

Amanhã, talvez eu queira me molhar novamente, deixar a chuva me fazer refletir. Mas, apesar de ser um outro e novo dia, o espírito, o sentimento, a vivência será a mesma.

E isso estará longe, muito longe, de parecer um retrocesso, uma involução. Será (e é) muito mais valioso. Atemporal.

E perene.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Intrínseco

Ainda choro de saudade,
Mas não reclamo.
Isso só faz mostrar
Que o que sinto é verdade:
Nunca conseguirei esquecer
Os momentos,
O viver
Com aqueles que amo.

Dúvida

 
     E então, comecei a ler a carta, antes de enviá-la:

    "Por que não sentir com intensidade? Apenas chorar e deixar as lágrimas te tornarem a pessoa mais querida do mundo em poucos segundos. Ou a mais necessitada. Ou mais fraca, até. Pra alguns mais humanos (às vezes, pseudo-humanos), mais humana. O mais importante nem sempre - quase nunca - é dito, apenas o que é mais conveniente. E uma é inversamente proporcional a outra. Parecem que correm em sentido contrário. Mas não, você não tem dúvidas. Ri, em quase todas as vezes. Quando não, dá de ombros. Mas eu prefiro chorar, deixar meus erros e meus defeitos transparecerem. Isso me faz ser uma pessoa melhor, um cara que se acostumou a lidar com os enfrentamentos necessários, perante quaisquer (tá, nem tanto, mas muitas) adversidades. E, por isso, principalmente, se houver a necessidade, eu perdôo. Você e até eu.

    Já não te conto mais sobre meus dias, nem você conta tanto mais sobre os seus, mas como já diria o outro, "é assim que as pessoas crescem", não é mesmo? Com aquele sofrimento derivado de qualquer ocasião, para que possamos nos tornar menos humanos. Depois eu ouço, assim você está sendo radical, espere, considere, mas... se eu fizer isso, você vai me dizer que eu não vou crescer, não é mesmo? E a lógica da sociedade atual, você me diz. Mas, na verdade, entendo que crescer é ver que nem tudo aquilo que acreditamos ser importante pra nós é, realmente, relevante. O melhor a fazer é colocar-se na situação do outro, sem falsa piedade, sem aquele riso de canto, sem aquele comentário pejorativo depois. Mas acho que é pedir demais."
 
(continua)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Segredo (dois haikais)

 Temo, falta algo,
Mais que coragem
Pra dizer algo importante.

Falta mais que uma letra,
Desvendar um segredo:
Te olhar e dizer te amo.


(Inspiração: "O segredo de seus olhos" - Assista, simplesmente.)

terça-feira, 30 de março de 2010

Minuto de sabedoria

    Ao abrir o "Minutos de Sabedoria" (C. Torres Pastorino, Ed. Vozes), ontem, percebi o real contéudo das sábias palavras. Só que não é fácil praticá-las.

    (Pág. 193)

   "QUANTAS vezes queremos ser bons e amáveis, e vemos destruídos nossos propósitos de virtude. Mas ser bom com quem é bom não é vantagem. O heroísmo consiste, justamente, em ser bom com quem é mau. Em permanecer calmo diante das pessoas irritantes. Em ser generoso com as pessoas egoístas. Procure chegar a esse ponto e demonstre, com o exemplo, que você sabe ser bom."

    A provação se torna mais abrangente quando as pessoas se esforçam demais para serem más, incovenientes, destruidoras.

    Minha índole continua intacta.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Dashboard Confessional - Morning Calls

Morning calls for pain relief
A line above the step beneath
The worst that you could do
And the best that you could hope for
Is hardly the best

Tepid water chase the pills
With turpentine and chamomile
And don't get cheap with the wine
You need to be up all of the time

Shield your eyes, conceal your lies.

Don't blink, everyone's watching.
They'll think you're up to something.
They need for you to be everything
that they cannot be themselves.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Mais que sentir

Por que este aperto no peito? Este incômodo em meu coração? Continuo me perguntando, mas já sei a resposta: é o medo. Real, impactante. Pois não quero que seja assim. Tenho fé, não vai ser. Agora não. Ainda há muito pra ser vivido, para ser descoberto, para ser entendido. Tudo o que eu fiz, tudo aquilo que eu poderia ter feito. Os arrependimentos, as alegrias. Não é a hora, não mesmo. Não adianta, somos imperfeitos, tememos (mais ainda) o que não conhecemos. Mas existem sentimentos que nos mostram que somos seres humanos, mesmo quando tudo parece mostrar que somos cruéis. E não é o meu caso, não mesmo.
Não há nome para definir. Está lá, apenas, acontece. E, se vale tanto, não precisa ser assim, derradeiro. Acredito mais, espero por algo melhor, sempre. "Outside the sun is shining, it seems like heaven ain't far away." Ponho fé nesta máxima, em que tudo (ou quase) vai ser melhor. E você precisa estar presente. Senão, não vai ter a menor graça. E não se trata de dizer que este é um pedido de desculpas; é apenas um pedido, com muita emoção. Apesar de não ser tudo o que eu queria ser, sou bastante digno para confessar: eu amo, sou intenso.
Os anos passam: e dentro de um olhar, a partir de um sorriso, depois de um gesto belo, após uma confissão, o que vem de um arrependimento, é possível perceber o que somos. E não conseguimos dizer o que é, nem repetir perfeitamente: está lá, nos consome, é mais que sentir.
É viver.

Outros, três linhas

Vale a pena, alma serena,
Sentir-se realizado, estar feliz
E com a consciência plena.

Tenho problemas,
Enfrento dilemas,
(tento!) Crio poemas.

Diga-me adeus,
Deseje-me sorte,
Mas não pense que não sou forte.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sem culpa

Que culpa tenho se, quando te vejo,
Quero mais que um simples beijo?
Demoro a perceber
Que todo este querer
Me faz acreditar
Que somos terra e mar
Em pleno chão comum.
Não, somos mais que um
Ou outro a flertar:
Somos devotos, errantes,
Fazendo pouco e ao mesmo tempo,
Muito mais que antes.
Até quando esperar?
Quando decidir falar?
O momento chega,
Passamos,
Saímos, nos distraímos,
Com outra coisa nos enganamos.

Estou aqui, sentado,
Esperando você passar.
Só pra continuar
O faz de conta no olhar,
A imaginação,
Fazendo a vida voar
E girar
E nos alegrar.
Sem ser em vão.

Reminiscência (mais um)


Eu descia. Ela subia.
Mudamos nossas direções
E então, encontramos o que era o amor.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Alguns, início

Amizade é compartilhar
Quando estamos sozinhos
Ou quando é preciso esperar.

Madrugada de outono:
Pensamentos, alguns trazem alento;
Outros, fazem perder o sono.

Nada tão bom como deixar
O olhar ser o pilar
Do querer e do gostar.