quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Haikais da Madrugada

Te amo muito,
Sem ser fortuito.
Amor gratuito.

Sua simpatia
Só me cria empatia,
Gosto de ti mais do que queria.

Vou embora, tenho que ir.
Mas espero te ver sem pedir,
Pra, de novo, bem eu me sentir.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Retrato

Bem-sucedido (e racista).
Muito bem articulado (e homofóbico).
Com muitos amigos (quase todos, segregacionistas).
Sempre está presente (mesmo sendo falso).
Entre os melhores alunos da sala (e esnobe).
Simpático, bonito, apresentável (e sexista, incrédulo, maniqueísta).
Executa todas as ações (com soberbia).
É exemplo (quase sempre, mau).
É o que muitos desejam (ode ao funcional).
Muito comum (mais do que se pensa).
Tomou o lugar (de mais um - dito como – tolo).
Outro retrato: idem.
Mais um, e mais um... próximo?

terça-feira, 1 de março de 2011

Chuva

Hoje, vou andar e deixar a chuva me molhar. Vou tentar ignorar as tragédias ao redor. Me lembrar de você e do seu doce perfume, dos momentos que poderiam acontecer. E me lembrar que algumas coisas simplesmente não acontecerão. Never meant to be. Mas isso tudo não significa que estou triste com o que tenho. Agradeço por tudo aquilo que conquistei. E o que também conquistaram de mim.

Será que é assim, como dizem? Que olhares não trazem nada além de uma ligação e de um pulsar temporário?

Prefiro dizer que não estou tão acorrentado às regras e condutas, as tais que evitam fazer daquele um ser humano, imperfeito e incompleto - como todos nós somos. E que em (quase) tudo pode haver uma satisfação especial, que possa resistir firmemente às intempéries tão frequentes impostas pelas próprias pessoas.

Amanhã, talvez eu queira me molhar novamente, deixar a chuva me fazer refletir. Mas, apesar de ser um outro e novo dia, o espírito, o sentimento, a vivência será a mesma.

E isso estará longe, muito longe, de parecer um retrocesso, uma involução. Será (e é) muito mais valioso. Atemporal.

E perene.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Intrínseco

Ainda choro de saudade,
Mas não reclamo.
Isso só faz mostrar
Que o que sinto é verdade:
Nunca conseguirei esquecer
Os momentos,
O viver
Com aqueles que amo.

Dúvida

 
     E então, comecei a ler a carta, antes de enviá-la:

    "Por que não sentir com intensidade? Apenas chorar e deixar as lágrimas te tornarem a pessoa mais querida do mundo em poucos segundos. Ou a mais necessitada. Ou mais fraca, até. Pra alguns mais humanos (às vezes, pseudo-humanos), mais humana. O mais importante nem sempre - quase nunca - é dito, apenas o que é mais conveniente. E uma é inversamente proporcional a outra. Parecem que correm em sentido contrário. Mas não, você não tem dúvidas. Ri, em quase todas as vezes. Quando não, dá de ombros. Mas eu prefiro chorar, deixar meus erros e meus defeitos transparecerem. Isso me faz ser uma pessoa melhor, um cara que se acostumou a lidar com os enfrentamentos necessários, perante quaisquer (tá, nem tanto, mas muitas) adversidades. E, por isso, principalmente, se houver a necessidade, eu perdôo. Você e até eu.

    Já não te conto mais sobre meus dias, nem você conta tanto mais sobre os seus, mas como já diria o outro, "é assim que as pessoas crescem", não é mesmo? Com aquele sofrimento derivado de qualquer ocasião, para que possamos nos tornar menos humanos. Depois eu ouço, assim você está sendo radical, espere, considere, mas... se eu fizer isso, você vai me dizer que eu não vou crescer, não é mesmo? E a lógica da sociedade atual, você me diz. Mas, na verdade, entendo que crescer é ver que nem tudo aquilo que acreditamos ser importante pra nós é, realmente, relevante. O melhor a fazer é colocar-se na situação do outro, sem falsa piedade, sem aquele riso de canto, sem aquele comentário pejorativo depois. Mas acho que é pedir demais."
 
(continua)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Segredo (dois haikais)

 Temo, falta algo,
Mais que coragem
Pra dizer algo importante.

Falta mais que uma letra,
Desvendar um segredo:
Te olhar e dizer te amo.


(Inspiração: "O segredo de seus olhos" - Assista, simplesmente.)

terça-feira, 30 de março de 2010

Minuto de sabedoria

    Ao abrir o "Minutos de Sabedoria" (C. Torres Pastorino, Ed. Vozes), ontem, percebi o real contéudo das sábias palavras. Só que não é fácil praticá-las.

    (Pág. 193)

   "QUANTAS vezes queremos ser bons e amáveis, e vemos destruídos nossos propósitos de virtude. Mas ser bom com quem é bom não é vantagem. O heroísmo consiste, justamente, em ser bom com quem é mau. Em permanecer calmo diante das pessoas irritantes. Em ser generoso com as pessoas egoístas. Procure chegar a esse ponto e demonstre, com o exemplo, que você sabe ser bom."

    A provação se torna mais abrangente quando as pessoas se esforçam demais para serem más, incovenientes, destruidoras.

    Minha índole continua intacta.